As Novas Oportunidades…E a doença bipolar em Portugal

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‘Uma literatura difere de outra, ulterior ou anterior, menos pelo texto do que pela maneira de ser lida.’

Jorge Luis Borges

No programa de rádio Alma Nostra, na Antena 1 (ou seria em Freud e Maquiavel, na TSF?), o grande pensador e psicanalista Carlos Amaral Dias referiu abundantemente a ciclotimia portuguesa (uma versão light da doença bipolar, de acordo com nossos brandos costumes): a História do nosso país em recorrentes variações de humor, entre a mania e a depressão. O jornalista Carlos Magno, que com ele dialoga(va) nos dois programas, dava muitas vezes o exemplo de um treina_

dor, julgado por n treinadores de bancada, que o ‹‹elevavam››, ironicamente, de bestial a besta.

Sobre o programa Novas Oportunidades, tenho lido, ouvido e, na vox populi, ‹‹ouvisto›› as manifestações dessa doença. Mesmo fora dO Plano Inclinado, na Sic Notícias, estando dentro, por ex., numa tertúlia no Casino da Figueira da Foz, o velho do Restelo Medina Carreira arrasa, de pessimismo, que ‹‹tudo não passa de uma trafulhice e aldrabice››, (…) dentro do contexto geral ‹‹das escolas que produzem analfabetos››, que se certifica o 9º Ano na junta de freguesia, entregando um papel, como se voltássemos ao tempo das passagens administrativas.

Do outro lado do nosso sistema de doença bipolar, temos aquelas entidades oficiais que, intra- e supra-escola, dizem dos maiores merecimentos dos formandos, como se todos eles fossem avaliados no quadro de Excelência.

Estando no terreno, desde o início, como forma_

dor de RVCC Secundário, penso que a realidade não é tão cor-de-rosa, por ultra-romântica, nem tão negra de passado(s) e presente(s) para caminho(s) mais futuro(s). O que Medina Carreira faz na sua operação de razia, é o mesmo que um imperador chinês, referido por Borges (“A muralha e os livros”, in Outras Inquisições), que mandou cercar de uma muralha o seu império e queimar todos os livros. Como se a certificação fosse um processo de presente (um papel entregue, como um requerimento), abolindo todo um passado de anos e anos de acções de formação e experiências profissionais — e de vida activa (e mais além, pois há formandos pós-reforma que querem continuar a pensar sobre), e a Escola se substituísse a outras escolas…

Tenho de dizer que já li textos escritos por alguns formandos bem melhores do que outros, até de formadores de docentes (sem questionar os seus conhecimentos científicos, mas com erros lexicais, sintácticos, morfológicos e de coesão textual). Dir-me-ão os técnicos que a Língua é apenas uma ferramenta…

Seja, então. Voltando atrás, a ideia do RVCC, para mim, ao menos recomenda-se. Só o seu cumprimento segue, aqui e ali, afectado pelas metas. Mas o pôr em marcha alguns projectos para Futuro, seja na Faculdade, seja em formações profissionais, faz-se muito positivo, desde logo, como um mecanismo de reactivar as células cinzentas dos formandos, para uma plena cidadania.

E, em nome da exigência, há realmente formandos que são certificados com os mínimos, e depois encaminhados para formação complementar, como quer o economista João Salgueiro. ‹‹Ou não valeria a pena››.

Também são eles, os formandos, quando levados pela mão de uma reflexão mais aprofundada, em maiores pesquisas e leituras, que mais credibilizam o processo.

Vitorino Almeida Ventura (Formador de CP)

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